Para muitos, um Baile de Máscaras é o motivo de muita azáfama por parte dos criados de uma casa das gentes finas da cidade e capital de Roland, do reino de Rosalyn.
Rose, uma das criadas da Casa Yum, sabe que o dia e a noite será longa e isso já não a surpreende em nada. O que o traz surpresa, mesmo que no fundo não até nem traga, é que ela tem que trabalhar com os servos de uma outra casa Senhorial do reino, mas estes são rivais desta. E eles são os Pikyng.
E para colocar em perspectiva - e para ela - esta casa, cuja família é menos rica e mais snob. E porquê?
Para ela, tudo o que eles dizem raramente traz qualquer relevância ao ambiente adjacente ou em redor.
“Em nada do que eles dizem vem por bem e tudo pode quase girar em torno deles e cada um deles tem complexo de superioridade.”
Escreve Rose no seu diário.
Muitos sabem que a Casa Yum é a mais rica do reino. E esta é respeitada pelo rei e pelos nobres.
Contudo, existem os Pikyng, que são uma das casas menores do reino. Cuja rica vem do negócio sujo do sangue, tiveram a sua fortuna por causa do negócio de escravos. Mas hoje eles representam o que há de mais corrupto no reino. Inclui os outros negócios sujos e decadentes. Alguns homens corruptos vieram de casas de bem e sem ligações à tal família, mas deixaram-se ir pelo caos da sociedade também decadente.
Rose foi uma escrava que foi salva quando a escravatura foi abolida há dez anos.
Ela era adolescente na altura. Hoje ela é a governanta da casa de Yum. E cabe a ela toda a tarefa de gerir um palácio enorme. Sob ela, estão cinquenta outros empregados que servem a Casa.
Assim que a Abolição aconteceu, os Pikyng tiveram que mudar de ramo de negócio mas a sua riqueza já era considerável.
Mas antes da Lei da Abolição, eles tinham se infiltrado nas camadas de sociedade vulnerável e essa voz chegou aos que se deixaram ir pela voz do caos - pobres e ricos. E isso não diminuiu o poder que eles têm agora.
Rose sentiu uma forte cólica na sua barriga quando o pensamento ou o pressentimento que aquela noite seria uma das mais longas desde que ela era muito jovem.
Mas para além ter que lidar com tal casa e o comportamento avassalador de cada membro daquela certa Casa, os Yum tinham convidado o Imperador e a Imperatriz de Rosalyn. E com eles vinham vários reis e rainhas de reinos aliados. Isto tudo, para celebrar precisamente os dez anos da Lei Abolição.
Rose já tinha tido o seu estômago às voltas nos dias anteriores, mas aquele dia, tinha evoluído para uma cólica um pouco mais aguda.
Contudo, ela não se podia dar ao luxo de parar ou deixar que os seus sentimentos fortes pudessem enevoar o seu discernimento.
Um sino toca naquele momento. Rose fecha o diário e levanta-se da sua cadeira de madeira simples. Ela olha para a janela redonda. A luz que esta emanava era amena e o cenário para fora desta era agradável aos seus olhos. O jardim lá fora era perfeito e bonito e ela, como governanta, fazia questão que assim o fosse.
Todos os dias os jardins eram mantidos e zelados da melhor forma possível. Nenhuma folha devia ficar por apanhar ou que as formas dos arbustos altos ficassem deformados. Ou que os ciprestes que traziam vigor ao jardim ficassem com as suas folhas ressequidas. A rega deveria ser equilibrada e aplicada no tempo útil. E a tecnologia de ponta da altura ajudava, em muito.
Apesar de todo o luxo do palácio da Caso Yam, todo o seu quarto era do mais simples possível, porque ela assim o quis. E Rose adorava o simples. Mas sem lhe retirar o seu requinte ou o conforto.
Lorde Robert Yum, o patriarca da casa tinha acolhido e empregado Rose após o período de transição, e ele foi derradeiro nas suas palavras e ações ao acolher outras dez senhoras que tinham servido em casas que tinham escravos. Apenas a Casa de Yum tinha se recusado a ter tal regime.
E foi a casa de Yum que impulsionou a Lei da Abolição e o Imperador também defendeu a ideia.
Roselyn era um reino de paz e a sua política tinha sido de acolher pessoas que necessitam de asilo ou refúgio.
Ela arrumou a cadeira e olhou em volta para o seu quarto simples com mobiliário robusto e útil. A parede era forrada com um papel de parede creme e com desenhos de pássaros e flores. O teto era ilimitado com um pequeno candeeiro alimentado a energia quântica, o que para ela parecia magia, quando na verdade era uma maravilha da ciência energética. Roselyn era um país cujo, todo ele era rico em inovação e ciência. A pobreza tinha sido quase totalmente erradicada e a mortalidade foi reduzida.
O tempo de vida útil dos homens de Roselyn era agora de duzentos anos. Mas claro, há ainda o poder da degradação e a Casa Pikyng é o símbolo disso.
O baile iria começar dentro de algumas horas, mas mesmo na azáfama natural do evento, Rose estava tranquila, apesar de ter aquela sensação irritante no estômago.
Ela respirou fundo e sai do seu quarto, fecha a porta e tranca-o com a sua chave única.
“Y gumenza yda." Sussurra na língua de Rosalyn, o Rasam.
E a porta desapareceu do nada, ficando apenas uma parede vazia, apenas com um quadro com pássaros a marcar onde está a porta.
-Rose! - Chama uma voz por trás dela, num tom sereno e carinhoso. - As mesas já tem todos os nomes dos convidados, a lista de nomes para os porteiros está pronta e os arranjos florais estão prontos, os quartos para os hóspedes estão um brilho, também.
Os quartos para o Imperador e para a Imperatriz estão prontos! - Declara voz, quase sem respirar.
-Perfeito, Anna. Colocaram água o suficiente nos jarros de cada arranjo? Os quartos dos nossos - Pergunta a governanta.
-Sim, Rose. E tivemos a certeza de colocar os arranjos florais longe dos lugares onde se vai sentar uma certa casa! - Responde Anna.
-Muito bem. Vai à cozinha e tem a certeza que não falta nada. Nenhum ingrediente. Já aconteceu antes, lembraste? - Recordou.
-Sim. Mas isso foi um imprevisto e o incidente levou a que o chefe fosse despedido na hora. Agora temos um bom chefe. Já provei as tartes de limão e estas não têm comparação.
-Verdade! - Confirmou. - Agora vai! Não há tempo a perder.
Sim. Até já! Não te esqueças de pôr um porteiro robusto à porta. Necessitamos do Capitão Músculos.
-O capitão Músculos não pode ser hoje, lembra-te do que aconteceu noutros banquetes? As senhoras das casas não o largavam. Tem que ser o Jack, o pai dele. É velhote mas aguenta bem os franganotes da Casa Pikyng. - Sem muita emoção.
-Rose, tu é que mandas. - Anna, num tom decepcionado.
Rose não tinha muito tempo para recomendações ou outras emoções.
Aliás, o tempo era curto e apertado, mas ela fez o que pôde para que os menus do banquete fosse variado. Que a música fosse a melhor do reino e que o baile fosse o melhor do século, mesmo que fosse para celebrar uma data que muitos rivais do imperador queriam destruir.
Antes de sair do seu quarto, olhou para o relógio de areia e compreendeu que era meio dia e que o sol estava no seu pico mais alto do dia. Isso significava era tempo de ir lá acima, na casa dos seus senhores e fazer uma vestiria profunda de tudo o que estava acontecer no palácio. E isso significava que até debaixo das camas era importante por o olho.
Felizmente, ela tinha razões para confiar em Anna, a sua discípula. Ela poderia adorar a fofoca nas horas mortas, mas Rose sabia que ela era a única que ela tinha o trabalho feito na hora e sem reclamações. Rose poderia ter a certeza que Anna era a que mais trabalhava com afinco e era aprumada na sua disciplina laboral. Era fácil de sorriso mas também tinha pavio curto. Mas não existia qualquer rivalidade ou ódio escondidos entre os outros empregados. Parecia um lugar de fantasia pura como num conto de fadas, mas os senhores escolheram a dedo cada um, mesmo para que não existisse qualquer hostilidade ou toxicidade entre cada um dos trabalhadores.
E o pagamento era justo e havia o princípio da equidade para todos e todos estavam felizes em trabalhar naquela casa. A Casa Yam e o palácio eram o sonho de muitas moças do reino, mas em geral era difícil de alcançar os requisitos desta. E daí ser dito, tudo parecia um conto de fantasia ou que era quase impossível encontrar um trabalho ali.
Rose teve sorte e Anna já tinha crescido naquele palácio. Muitos outros são descendentes de empregados anteriores.
Para ser mais fácil, Robert Yum I, pai de Robert Yum II dividiu os empregados em doze famílias diferentes, e cada um era responsável pelas diferentes logísticas do palácio.
Roselyne: A governanta, a Administradora ou – Ela gere propriedades, rendas, trabalhadores e toda a parte económica. É a principal gestora da casa e das terras. Rose Roselyne não tem descendentes naquela casa.
Os Jacksons, descendentes de Jack, o Mordomo-mor. A sua descendência coordena o funcionamento interno do palácio e supervisionam o serviço doméstico.
Anna pertence a esta casa.
Josephsons filhos de Joseph, o Secretário. Eles tratam da correspondência, contratos, registos e assuntos formais.
Theasons, filhos de Thea, a tesoureira. Eles controlam os cofres, os pagamentos, receitas e as despesas da Casa de Yum.
Seansons, filhos de Sean, o Capitão da Guarda. Eles são responsáveis pela segurança do senhor, da família e da propriedade.
Douglasons, filhos de Douglas. Eles são os Guardas e Homens-de-armas. Eles garantem proteção e ordem.
Umbertsons, filhos de Umbert. Eles são os Mestre-de-cerimônias e organizam recepções, jantares e eventos sociais relevantes.
Clarksons, filhos de Claro, o cozinheiro-chefe. Eles supervisionam a cozinha e coordenam os banquetes. Mas os Yum tiveram que contratar um novo chefe, após um incidente na cozinha. Hoje Tom Maar é o chefe.
Os Michaelsons: filhos de Michael. São os camareiros e os criados pessoais que fazem Serviço direto aos senhores. Eles trabalham nos aposentos, no vestuário, e na rotina diária).
Os Jamesons, descendentes de James, o Jardineiro-chefe – Eles cuidam dos jardins e espaços exteriores.
Jacobsons, filhos de Jacob, o Mestre de estábulos. Eles são responsáveis pelos cavalos, carruagens e tratadores.
Os Finnsons: filhos de Finn. Responsáveis pela manutenção do palácio. Eles coordenam obras, reparações, carpintaria e conservação do edifício.
Um sino toca duas vezes e isso sinaliza que já há convidados a chegar toca finalmente e prontamente os empregos da casa tem que começar fazer as suas tarefas para o banquete.
O sino toca terceira vez mas Rose olha para o sino confusa. O que significava que a comitiva Real tinha chegado.
-Cedo demais. Mas que assim seja. - murmurou.
Respira fundo e estala os dedos para apressar mordomos, porteiros e outros a ir para a porta imediatamente. Nesse momento todos os empregos organizam-se numa linha sem pisar a carpete azul, as cores da casa real, e um banner desenrola-se na parede no cimo da escadaria que dava para a sala do banquete e para a sala de bailes.
Naquele momento, entram o Imperador vestido de Leão, com uma coroa na sua cabeça, e a Imperatriz entra com a sua mão sobre a do seu esposo, vestida de gazela e com uma coroa na sua cabeça. Eles entraram com um sorriso nos lábios e pareciam amáveis. Os Senhores do Palácio estavam de frente ao vão de escadas mas no mesmo patamar. Eles vestiam máscara de pavões e mas sem adornos adicionais na cabeça. Ambos fazem uma vénia perante a Majestade do casal real do reino de Roselyn.
-Robert, vamos ao smoking room. Necessito de um dos charutos do teu pai e também de falar de algo que mais ninguém pode saber. Apenas para os teus ouvidos. - Atirou o Imperador assim que olhos Robert Yum II nos olhos.
Rose não mostrou emoção. Não há tempo para pensar ou tecer teorias sobre o que significa aquela conversa. Ela mentalmente abandonou a cabeça para dissipar qualquer sombra de curiosidade.
-Rose! - O Imperador chama-a. - É Rose, certo? - Pergunta.
- Sim, Majestade. Rose Roselyne. Ao seu serviço! - Prontamente.
O Imperador aproxima-se dela e sussurra algo.
-Precisamos de ti! - Começou. - É importante que mantenhas a tua postura forte, como uma guerreira que vai para uma batalha numa batalha evidente mas numa guerra invisível. Quem tem olho em terra de cegos, é rei. E tu deves discretamente ser os meus olhos. Discretamente vai pelas passagens secretas e vem ter connosco na sala dos pássaros azuis. - Termina o Imperador enquanto este recua com cuidado e olhar para os lados.
Ele parecia preocupado com algo e de perto a sua paranóia era evidente por detrás da máscara.
Rose manteve-se alerta e aquela sensação no estômago de antes, parecia que agora era agora uma mensagem do futuro. ‘Cuidado! As peças de um jogo invisível estão em movimento e algo está em movimento.”
Anoiteceu.
-Anna, preciso de ti. Toma o meu lugar. O Senhor sabe que me vou ausentar. É importante. Não faças perguntas! - Pediu Rose.
-Vai! - Annah compreendeu a urgência.
O sino toca duas vezes. Os convidados vão entrar e os nomes serão anunciados pelo mestre de cerimônias.
A governanta discretamente desceu as escadas para os aposentos dos empregados do palácio. Ela repete as palavras que abrem e fecham a porta do seu quarto e a porta abre-se automaticamente. Olha em redor antes de entrar no quarto, entra e fecha a porta com um olhar alerta.
Ela olha em volta e procura a porta secreta que vai dar à sala de fumo construída por Robert Yum I. A sala dos pássaros azuis.
-Os pássaros azuis são a honra. Mas o fumo é o caos do homem, sempre em busca da guerra contra o seu próximo! Murmurou.
Ela toca no olho do único pássaro azul no papel parede e uma porta pequena abre-se. Estava frio e ela agarrou num casaco que parecia ter penas e uma máscara de um pássaro azul, que alguém tinha deixado numa caixa há alguns dias na junto à soleira da porta do seu quarto. Ela vestiu o casaco e colocou a máscara. Ajeitou o cabelo um rabo de cavalo ao espelho.
Finalmente ela entra e fecha a porta. Ela passa por passagens escuras que são iluminadas por tochas alimentadas por um óleo negro. Ela passa pelas antigas fundações do palácio, sobe uma escada em espiral íngreme e finalmente ouve as vozes do senhor e do Imperador a falar de algo quase incompreensível. Ela empurrou a porta e viu ambos a fumar um dos charutos antigos que eram do Senhor Robert Yum I.
-Ah, Rose! Finalmente! Entra! Pensava que já não vinhas! - Brincou o imperador.
- Majestade, perdão. É um caminho difícil! - Com uma vénia.
-Deixa-te disso! - Chuta o Imperador. Aqui todos somos iguais! - acrescenta.
- Como assim? - Confusa.
-Pelo que sei, tu eras filha do Rei Pombareka do reino de Koh, antes de seres retirada da tua preciosa terra e vendida como um animal para ser domado num circo de feras. - Tomou a palavra o Senhor do palácio.
-Era, Senhor. Até eles matarem os meus pais e privar-me de tudo o que eu tinha de bom no meu reino. - Recorda a governanta.
-Eu sei. Pedimos que viesses para finalmente servires a tua própria casa. Não como uma casa vassala, mas como uma casa aliada ao meu reino. Tu és o pássaro azul que necessita liberdade. Este palácio é uma gaiola dourada. Podes ter liberdade aqui dentro, mas não a tens lá fora. Tudo porque há forças que ainda jogam contra a Lei da Abolição. Está na hora de se proteger juntos. - Discursou o Imperador.
-Senhor, com a sua licença e mil perdões. Mas este jogo é perigoso e não sei como posso ajudar, quando a minha casa foi destruída e a minha família foi queimada viva. - Recua a governanta.
-A tua casa foi queimada mas ficaram os alicerces. E tu és o alicerce da tua casa. Não podes ter medo agora. Tens que ser forte. Infelizmente, quer queiras, quer não, uma peça já está em movimento e esta está a tentar alcançar a rainha do seu oponente. E essa rainha és tu! Perdoa.
-Como assim? - com o coração nas mãos.
-Os que te tiraram da tua terra aliaram-se aos da Casa Pikyng e agora eles são a força que se juntou para atear o nosso reino em chamas. Mas hoje temos uma oportunidade de ouro. E podemos acabar com o golpe. Aqui e agora. Eu preciso de uma prova que o patriarca desta família jurou guerra contra o nosso reino.
-Os Tarkam foram julgados! Como é possível?
- Alguns conseguiram escapar, ao que parece. - Anuiu o Senhor Robert.
-Nesse caso, só vou mover a minha peça porque este reino está em perigo. A minha casa está extinta há muito. E quero que os Tarkam vejam o fantasma dos seus atos horrendos. Senhor, Majestade… eu quero mão pesada sobre eles. Não por mim, mas pelo meu povo.
-Que assim seja. - Concordou o Imperador. - O teu nome secreto é Ulma. - Acrescenta.
Na sala, eles discutiram o plano para apanhar ambos os inimigos a conspirarem, enquanto Rose passava quase despercebida entre a multidão.
Eles saíram da sala em momentos diferentes. Rose sai pela porta secreta, mas desta vez, vai até à sala de música que fica próxima da sala de banquete. Ela olha em redor para ver se não vem ninguém. Ela entra na sua e faz o seu melhor para não fazer barulho porque o soalho ali range um pouco.
Ela entra na sala do banquete, atravessa-a e vê o seu nome secreto escrito na mesa.
Ela senta-se e compreendeu que estava perto de Peter Tarkam. E à frente de Tom Pikyng.
-Atiram-me aos leões e eu deixei. - Rose para si mesma.
O banquete decorreu e o menu da casa foi servido. Como previsto, tudo sem incidentes. Apenas algum convidado que deixou cair uma faca, perante o silêncio dos convidados que sorviam o jantar e tudo o que a experiência do palácio poderia oferecer, inclusive a bebida e o fumo.
O Senhor fez um breve discurso e o Imperador seguiu-se. Rose nesse momento tinha esperança que isso pudesse inspirar a raiva dos seus inimigos. E de facto, mas discretamente aconteceu.
Peter Tarkam estava furioso mas que só era visível só perto.
Rose notou. E a jogada que poderia resultar numa armadilha estava em marcha.
-O jantar está terminado. Vamos dançar e esmoer o jantar. - Brincou o Imperador.
Todos riram, exceto os traidores. Alguns riram-se mas falsamente. E isso foi evitado aos ouvidos apurados da governanta.
Todos caminharam em grande algazarra para a fala de baile. Mas os traidores tinham se juntado e murmuravam. A música mudou para o tom de baile e a banda tocava valsas e outras danças para dançar. Cada convidado tinha as suas máscaras e mascaravam as suas vidas pessoais e cada um era um animal exótico do mundo.
Alguns eram conhecidos por Rose, outros não. Mas esse era o gosto de cada um.
A governanta discretamente caminhava entre a multidão e ouvia conversas diferentes, ouvia fofocas, conversas aleatórias e sem sentido. Ouviu de tudo mas tentou não mostrar emoções.
Meia noite.
A música continua animada e os animadores e dançarinos contratados dançavam para dar mais ênfase à extravagância da Festa.
E isso já despertou uma falsa raiva aos que conspiravam e tentaram envenenar o clima da festa. Que na verdade nem era assim tão extravagante como os outros declararam a ouvidos que queriam drama.
Rose manteve-se alerta até que ouviu o que queria. A um canto enquanto dançava com um homem aleatório. Ela sorriu e fez vénia assim que a música parou. Os olhos da Senhora do Palácio estavam sempre atentos e deu um toque no ombro de seu esposo. O mesmo foi repetido pela imperatriz. Ambos, o Senhor e o imperador contavam tudo às suas esposas.
Rose faz uma vénia mesmo que fosse para ninguém e sai.
E vai rapidamente para a sala de música, agarra num papel de pauta que estava no piano e numa caneta.
Ela escreve tudo o que ouviu em código na pauta de música. Ao início o que ela escreveu as notas pareciam estranhas e sem ordem mas depois começaram a ser sombrias e traziam nelas uma mensagem atroz e terrível, cuja melodia falasse de um futuro incerto e sem liberdade. Nisto a mensagem era clara e a cada palavra preferida nessas notas trazem consequências terríveis se não paradas a tempo.
E sem tempo a perder, Rose entra na sala de baile de novo e pede a um empregado para servir champanhe ao imperador e coloca a pauta por baixo do copo.
A bandeja finalmente chega ao Imperador. Ele agarra no copo, coloca-o no braço do seu trono e agarrou




